Durante o Rendez-vous Canada 2017, que aconteceu em Calgary, reencontrei velhos amigos, desses que, a gente que trabalha com turismo, vai conhecendo mundo afora. Como de costume, marcamos um café no fim do primeiro dia de trabalho, para colocarmos nossas vidas em dia e, desde que a política se tornou um assunto cada vez mais relevante, atualizar uns aos outros sobre o momento político dos respectivos países.
O café começou com um brinde pela vitoriosa eleição francesa e um abraço de solidariedade no amigo venezuelano, visivelmente triste. Entretanto, o que todos queriam saber era o que está acontecendo com o Brasil. Minha tarefa foi tentar explicar àquele grupo tão diverso algo que nem nós, brasileiros, entendemos. Curiosa foi a resposta de cada um deles, que ressaltou uma visão ao mesmo tempo pessoal, mas também ligada à cultura do país de cada um.
Meus amigos canadenses definitivamente não entendem o que ocorre no Brasil e questionam por que e como deixamos a situação chegar até este ponto. Minha amiga belga, incrédula, parecia ouvir um conto de ficção. Indignados, os norte-americanos disseram que estão passando por algo parecido (“mas não tão sujo”, frisou um deles) e que “a culpa é do sistema político dos nossos países, que está falido e precisa ser mudado”.
Os indianos não se espantaram e comentaram que este também é “o sistema de operar indiano”, e meu amigo sul-coreano acrescentou que “nada como uma prisão perpétua para dar uma lição em político corrupto”. Já os franceses, felizes com a eleição de Emmanuel Macron, pediram para sermos persistentes e combatermos a corrupção e o populismo, estudando a biografia dos políticos antes de votarmos.
Os amigos mexicanos estavam muito preocupados e disseram que, se perdermos esta batalha, a entidade chamada “crime organizado tomará definitivamente o poder, como se dá hoje no México”; e o argentino acredita que, como o seu país, “estamos fadados a conviver eternamente com o submundo na política”.
Pensativo, meu amigo venezuelano sorriu, deu um suspiro e encerrou a conversa: “Ainda assim, eu me mudaria agora para o Brasil…”




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