Diante da grandiosidade da paisagem, turista sente todo o poder o Jalapão (Fotos: Julio Dadalti)
O mais preservado santuário do Cerrado brasileiro, o Jalapão, é mais do que um deserto com suas dunas de areia fina, de até 40m de comprimento, chapadões e serras. Na cor alaranjada da paisagem, destacam-se rios e riachos de águas cristalinas e potáveis, cachoeiras deslumbrantes, animais únicos e os muitos causos do simpático e hospitaleiro povo Quilombola, que faz do lugar uma aventura fantástica, em meio à interação com a natureza e a sustentabilidade. Explorar a região com conforto, hospedando-se em tendas montadas sob as árvores, com comidas típicas e bem elaboradas é o conceito desta viagem.
Ao chegar ao aeroporto de Palmas, a equipe que fará o traslado já aguarda os turistas com veículos 4×4, adaptados para cruzar o Cerrado tocantinense. Após um primeiro dia de hospedagem no Hotel Girassol Plazais, que tem boa infraestrutura, parte-se com destino ao Jalapão, nome originário de uma pequena planta, a jalapa-do-brasil, de flor lilás, cuja raiz dá um sabor especial à cachaça servida nos bares locais.
O laranja da paisagem, recortado pela vegetação do cerrado e rios de águas cristalinas – um encontro com Jalapão
Com 2 horas e 30 minutos de viagem – com direito a uma pequena parada em Santa Teresa, para a degustação de doces e sorvetes regionais – chega-se a Ponte Alta. A cidade, de 8 mil habitantes, é o portão de entrada para um sertão cortado por belas veredas, onde o tempo parece ir mais devagar, ouvindo aqui e ali um e outro animal nativo, quase sempre sob um céu muito azul.
Mesmo na época da seca, no Cânion do Sussuapara a água não para de jorrar
Olhares curiosos observam os aventureiros que por ali cruzam. Daqui para frente, poucos carros estarão nas estradas secas margeadas por buritis e riachos, nos quais refrescar-se é quase uma exigência. Como é curiosa a ausência e, ao mesmo tempo, abundância de água no Cerrado! Veículos com tração nas quatro rodas são indispensáveis para vencer o areal e os buracos espalhados. Pode-se rodar mais de hora sem encontrar vivalma. Assim, quem pretender fazer a viagem por conta própria deve revisar o carro e munir-se de um plano de emergência, pois celulares não pegam por essas bandas.
Após cruzar a cidade de Ponte Alta e de um almoço com saborosa comida caseira, numa das hospedagens locais, segue-se em frente; apenas 30 minutos de carro depois, avista-se o Cânion do Sussuapara, em que a água escorre entre as fendas rochosas. São 10 minutos de caminhada na estrada, entre riachos de água pura que correm sob os pés dos visitantes extasiados. É impossível não parar para contemplar os raios solares colorindo as quedas d’água. Mesmo na época da seca, a água não para de brotar das pedras. Belo início de expedição!
Barracas oferecem conforto e se tornam o lar dos turistas durante experiência no Cerrado
O Jalapão é uma região árida de 34 mil quilômetros quadrados, cercada por verdadeiros oásis. Ela está a leste do estado do Tocantins, abrangendo os municípios de Ponte Alta do Tocantins, Mateiros, São Félix do Tocantins, Novo Acordo, Santa Tereza do Tocantins, Lagoa do Tocantins e Rio da Conceição. Em 2001, sua área passou à condição de Parque Estadual, com área equivalente ao estado de Sergipe. Araras-azuis, tucanos, lobos-guarás, antas, raposas e onças habitam a região. Entre junho e setembro, as atividades nos rios são restringidas pelo Naturatins (Instituto de Natureza do Tocantins), por conta do pato-mergulhão, ave em extinção e que tem seu período reprodutivo no inverno.
Aventura é vencer, num caiaque, as corredeiras do Rio Novo
Faltando 2 horas e meia para chegar, há uma pausa no topo da Serra da Muriçoca, para a degustação de sucos, paçocas e biscoitos artesanais, tudo acompanhado pelas histórias contadas pelo guia Adail. O canto das seriemas alegra a pequena refeição. A entrada no camping ocorre junto com o pôr do sol. A primeira impressão do lugar traz de volta à mente os antigos filmes sobre safáris na África. Barracas para duas pessoas com banheiro químico, áreas com duchas de água quente, uma prainha particular, redários, o Rio Novo de água potável e transparente, além de um restaurante, fazem a imaginação ganhar asas em meio às cores intensas do fim de tarde.
…um mergulho no fervedouro de águas azuis, em que é impossível se afundar
No dia seguinte, Adail vai à porta de cada barraca acordar gentilmente os visitantes. Despertador é para as cidades, aqui ou você acorda com o simpático “bom dia” tocantinense ou com as melodias entoadas pelos pássaros do Cerrado. O café da manhã tem muitas frutas, bolos e sucos, servidos com um sorriso. A cozinha é comandada pelos chefs Romaryo e Johny. Chegam um cafezinho preto e mais causos.
É hora da aventura! O primeiro passeio é vencer, num caiaque, as corredeiras do Rio Novo, atividade feita com muita segurança, depois de a aula da remada ter sido dada com bastante cuidado pelo guia.
À tarde, após o almoço, com direito a tirar um cochilo nos redários para restaurar as energias, segue-se para assistir ao sol se pôr nas dunas do Parque Estadual do Jalapão. Já na estrada, a paisagem antecipa o que será vivenciado: texturas, riachos, tucanos, a Serra do Espírito Santo e muita gente no alto das dunas aguardando o espetáculo.
A artesã Adejane e os souvenirs e artefatos feitos com capim dourado
Dá para sentir a energia do lugar. Atrás da serra, o sol se esconde por entre as veredas, enquanto aplausos explodem no silêncio do Cerrado. Fica o pensamento sobre quanto se é pequeno diante de tanta grandiosidade. O dia termina com uma caipirinha e um peixe assado.
Um dia após o outro, e as novidades não cessam. A temperatura é quase agradável, pois o sol forte é amainado pela brisa constante. Nos chamados fervedouros, de águas azuis (nas quais é impossível se afundar, em meio às tentativas frustradas de mergulho), o almoço é preparado próximo ao banho – arroz jalapanês acompanhado de saladas diversas e cerveja gelada. Doces são servidos como sobremesa. Ao fim, o visitante é apresentado ao artesanato de Adejane, uma quilombola que trabalha com o capim dourado, colhido em setembro e protegido pelas unidades de preservação local.
As águas verde-esmeralda da Cachoeira do Formiga
O roteiro também inclui uma visita à Casa do Artesão e à sorveteria, para espantar o calor e experimentar os sabores de caja-manga, cupuaçu, buriti e outros típicos. Diante da Cachoeira do Formiga (uma nascente de água verde-esmeralda), o difícil é escolher entre fotografar ou mergulhar. No retorno, próximas à Serra do Espírito Santo, as nuvens assumem tonalidades rosas, misturadas ao vermelho e ao laranja da paisagem, acompanhando o astro-rei.
Na visita a comunidades remanescentes de quilombos, conhece-se o Seu Albelo, patriarca de 107 anos; simpático, hospitaleiro, que não abre mão do cachimbo e da pinguinha diária. Tem também o Adelio, responsável pelo camping, neto de Seu Albelo. O Seu Wilson fortalece os quadros do camping, trazendo a tradição e a cultura local ao dia a dia dos turistas.
O casal de dentistas Luís Belan e Vera Leite, que viajam o mundo todo atrás de aventuras, contam que se sentiram surpreendidos com a beleza do Jalapão. “Isto aqui é muito melhor do que pensei”, enfatiza Luís. Já o casal curitibano Conrad e Marlayne comemorou mais um aniversário de casamento durante a viagem: “Sempre planejamos excursões como esta, em que a natureza é a protagonista”. O engenheiro Raphael Piazzarollo conta ter planos de visitar todos os parques no Brasil, acrescentando que a energia do Tocantins é indescritível.
Momento relax na Prainha do Rio Novo
No último dia, há empolgação de sobra para fazer a trilha na Serra do Espírito Santo, ao amanhecer. Subida íngreme de 800m e mais uma fácil caminhada de 3km até o mirante. Muitas fotos e um dia fantástico, com o céu azul de sempre, reforçando o colorido do Cerrado. Chega a tarde e é hora de fazer uma flutuação rio abaixo. Após o jantar, com direito à carne de sol servida na moranga, há uma fogueira com viola completa a expedição. Histórias e muita música sob um céu estrelado fecham a viagem de maneira inesquecível.
Dia de partir. No caminho, uma passagem rápida pela Cachoeira da Velha, na qual o banho é proibido, mas onde se pode fotografar. Que cenário! A 1km dali, há uma parada na Prainha do Rio Novo para banho e lanches, em outro cenário de tirar o fôlego.
O Jalapão é um lugar para visitar e voltar. O caminho é duro, mas conhecer essa maravilha da natureza vale cada buraco do caminho.
Pacote da Boreal Operadora para o Jalapão inclui traslados + 2 noites na Pousada dos Girassóis (ou similar), com café da manhã em Palmas + 4 noites no Safári Camp Korubo, com café da manhã, almoço, jantar e lanches de trilha com sucos + equipamentos de segurança para canoagem + passeios conforme o programa + kit de viagem Boreal = a partir de R$ 2.695 por pessoa em duplo.
O pacote não inclui = passagens aéreas + despesas pessoais + bebidas + refeições em Palmas.
Observação = saídas todas as sextas-feiras
Contato Boreal = (31) 2555-8881 + www.borealturismo.com.br





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