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Home Dicas

A Travessia do Boi Preto – o relato de quem completou o desafio

22 de outubro de 2021
in Destaque, Dicas
6
Boi Preto

No alto das serras de Minas Gerais, os caminhos da Travessia do Boi Preto são percorridos por aventureiros de todos os tipos. (Foto: Gilson de Souza)

Nas serras de MG, a trilha desafiadora e emocionante atrai adeptos das corridas de montanha

A procura por turismo de natureza e turismo de aventura nunca esteve tão em alta. E quando as duas tendências se juntam, o resultado é sensacional. Confira o relato do jornalista e fotógrafo Gilson de Souza, que completou os 85 km da trilha do Boi Preto, que percorre as serras da Moeda, Calçada e Rola Moça, desbravando caminhos históricos em Minas Gerais.

História do Boi Preto – por Gilson de Souza

Minas Gerais não tem mar, mas tem montanhas lindas e cheias de história. Essa frase do pensador Marcos Alves de Andrade resume o estado mineiro com maestria. Belo Horizonte, sua capital, não é diferente, e tem em sua proximidade belas paisagens e muita história para ser contada.

Quem sai da capital de carro, sentido Rio de Janeiro, logo se encanta com a cordilheira que se levanta ao redor, e já se percebe o quanto ela é extensa: ultrapassa noventa quilômetros de extensão e se ergue por paredões de até 500 metros de altura. É uma verdadeira muralha que abriga obras de arte, ora feitas pela mãe natureza, com milhões de anos, ora erguida por mãos humanas, também de um passado remoto. Algumas dessas construções são mais antigas que cidades como Ouro Preto, Sabará e até mesmo que nossa primeira capital: Mariana.

Lá no alto das serras, as histórias foram interligadas por vários caminhos que hoje são percorridos por aventureiros de todos os tipos. Dá para ver famílias inteiras caminhando juntas, ciclistas em busca de trilhas mais técnicas e também praticantes das corridas de montanha, também conhecidos como TrailRunners: verdadeiros atletas capazes de percorrer distâncias monumentais.

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Passar por esses caminhos e desbravar as histórias da região é o que motiva todos esses aventureiros. E entre eles, um dos maiores e mais desafiadores é a Trilha do Boi Preto.

No alto da Serra da Moeda, a árvore símbolo da Travessia do Boi Preto (Foto: Gilson de Souza)

Boi Preto

Idealizada pelo médico ortopedista Rafael Porto e amigos, a Boi Preto percorre as serras da Moeda, Calçada e Rola Moça, além de passar por dois distritos de Brumadinho: Piedade de Paraopeba e Casa Branca, onde fica sua linha de chegada.

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Rafael Porto diz que “a ideia era de juntar todas as trilhas mais interessantes da região aumentando dessa forma o fluxo de pessoas que frequentam as serras e dessa forma protegê-las”. Ricas em minério de ferro, as montanhas atraem mineradoras que desafiam as legislações com a finalidade de explorar sem limites o entorno de BH.

Num dos trechos da Trilha do Boi Preto, na Serra da Moeda, pode-se perceber o quanto a mineração avançou para sua crista, sendo necessária a colocação de uma grade de proteção com a finalidade de reter uma possível tragédia.

Mas a Travessia do Boi Preto, com seus 85 quilômetros de extensão e mais de 3.700 metros de ganho positivo em toda sua extensão, não é uma simples competição; é um projeto de vida. São necessários meses de preparação, mesmo para os atletas mais experientes. E para escrever sobre ela, resolvi ir lá e enfrentar o temido “Boi Preto”.

Pegando o boi pelo chifre

Normalmente a trilha se inicia no cair da madrugada. Os mais experientes completam em pouco mais de 10 horas, como foi o caso do Chico Santos, um carioca que detém o recorde da prova (chamado de FKT, uma sigla em inglês que quer dizer tempo mais rápido), fechando em 10 horas e 14 minutos.

O tempo médio de toda travessia tem sido entre 17 e 19 horas, mas, no meu caso, queria mesmo era completá-la! Então estipulei minha singela meta de fazer em menos de 24 horas – e assim fiz. Completei em 23 horas e 44 minutos, mas posso me considerar um privilegiado de um seleto grupo de pouco mais de 70 pessoas que completou a travessia. Ou, como costumamos dizer, pegou o boi pelo chifre.


Casa da Moeda Falsa de Paraopeba – Ruínas do local onde, por volta de 1720, no auge do Ciclo do Ouro, um grupo de mais de 100 homens fortemente armados fundia moedas falsas da coroa portuguesa, utilizando equipamentos oficiais roubados no Rio de Janeiro. (Foto: Gilson de Souza)

A travessia

Os dados oficiais do Boi Preto podem ser encontrados no Instagram: @boipretoultra. É lá que constam todos aqueles que completaram a prova, sendo em grupo ou individual, com suporte ou sem suporte. Para fazê-la, procurei uma turma de corredores de trilha que mais conhecem a região: o Rola Moça TrailRun (no instagram como @serradorolamocatrailrun), que, como o próprio nome sugere, treinam por lá todo final de semana.

Daí, você acaba conhecendo outros grupos, outros amantes do esporte e então se descobre que todos são uma grande família. Se conhecem muito bem e não há nenhuma disputa entre eles. Estão lá pelo simples prazer de compartilharem as trilhas; que, sem sombra de dúvidas, estão entre as mais belas de todas.

Também pudera, boa parte do percurso é no alto da crista da Serra, numa altitude média de 1.500 metros em relação ao nível do mar (1.561m é o ponto culminante, bem ali no Topo do Mundo de onde saltam parapentes e asas deltas). Por esse mesmo motivo, o vento é constante e costuma ser bem gelado.

trilha paisagem
Foto: Gilson de Souza

Para completar o percurso foram necessários cerca de 6 meses de preparo intenso. Academia para fortalecimento, longas corridas para ajustar alimentação e vestuário e, lógico, muita força de vontade. No meu primeiro contato com o percurso, feito em maio, em seus 28 quilômetros iniciais, já pensei em desistir. As subidas são intermináveis e as câimbras vêm com tudo. Por isso é importante as paradas técnicas no decorrer das trilhas feitas por escravos. Sim, há relatos de comitivas que passavam por lá com dezenas de carroças puxadas por cavalos na época do Brasil Colônia ainda.

Duas ruínas fazem parte da Boi Preto. A primeira delas, no quarto quilômetro, a Casa de Moeda Falsa de Paraopeba, ao lado de uma simpática igrejinha e de um restaurante considerado um dos melhores da região. Parada obrigatória para foto, conta-se que aqui cunhavam-se moedas portuguesas falsas com equipamentos oficiais roubados do Rio de Janeiro (veja foto-legenda ao lado).

A segunda ruína já está no quilômetro 64 da travessia e é mais conhecida e frequentada: o Forte de Moeda. Lembranças de quando ainda éramos colônia portuguesa.

trilha paisagem
Foto: Gilson de Souza

Ao fazer a travessia, apenas uma palavra me vinha à mente: insanidade. Não é por um acaso que menos de 100 pessoas no mundo todo completaram o trajeto de uma única vez. São subidas intermináveis com descidas íngremes, paredes de pedras que se assemelham a escaladas em rocha, muita terra fofa que dificulta os passos e infinitos caminhos a seguir. Logo depois do quilômetro 72, no Mirante dos Veados já na descida para Casa Branca eu pensei: “falta pouco”. Engano meu. Aquela descida é infindável. E essas características fazem parte do contexto da Boi Preto. E é por isso que mais pessoas têm procurado essa trilha.

No último final de semana, vieram atletas de diferentes partes do Brasil para “encarar o Boi”. Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e muitos outros estados foram representados aqui em Minas. É um reconhecimento que temos bem próximo de nossas casas, aqui na região de Brumadinho um rico acervo natural que merece nosso reconhecimento e nosso cuidado. Minas Gerais não é apenas um amontoado de minério de ferro para ser explorado sem pensar no futuro.

Dali até Casa Branca, o famoso “labirinto” se esconde à nossa frente. Numa mata fechada se tem ideia que a Igreja de São Sebastião fica na próxima curva, mas totalmente equivocada. Ela demora muito a chegar. Quando finalmente saímos das trilhas e chegamos ao aconchegante distrito de Brumadinho as emoções tomam conta de todo corpo.


“A corrida é insana! E quem finaliza é monstro!!!” Com certeza foi o desafio mais marcante da minha vida – Gilson de Souza

E a partir daí corremos com o coração. As dores simplesmente são ignoradas e as lágrimas já fazem parte de um corpo moído pelos 85 quilômetros que se passaram. Daí para frente é só alegria e só me lembro de ter mandado uma mensagem para a esposa que torcia por mim lá de casa: “A corrida é insana! E quem finaliza é monstro!!!” Com certeza foi o desafio mais marcante da minha vida. Cada morro, cada pedra e a única coisa que eu pensava era: desistir nunca é opção.

E não é mesmo. Parafraseando Marcos Alves de Andrade, agora faço parte das muitas histórias dessas Minas Gerais.

Tags: Boi PretoecoturismoTrilhasturismo de aventura
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Comments 6

  1. Misac says:
    5 anos ago

    Muito top o documentário!
    Parabéns meu amigo!!
    Forte abraço!
    Ainda desbravarei esse dasafio!

    Responder
    • Gilson de Souza says:
      5 anos ago

      Obrigado amigo!!! Boi Preto merece se tornar uma prova de nível mundial! Abs…

      Responder
  2. Marcia says:
    5 anos ago

    Olá, incrível a matéria!
    Hoje parto para concluir uma aventura que começou na lua cheia de agosto.
    Esta matéria me deu ainda mais motivação.
    Gilson meu amigo, parabéns pela linda matéria e obrigada, compartilhando sua experiência me incentivou ainda mais.

    Responder
  3. Saulo Soares de Arruda says:
    5 anos ago

    Show!!!! Maravilha de relato! Parabéns Grande Gilson! Você é um gigante!!!

    Responder
  4. Luiz Marcos says:
    5 anos ago

    Legal Gilson …muito legal parabéns!!! pela prova… pelo artigo e pelas execpcionais fotos…

    Responder
  5. Gilson de Souza says:
    2 anos ago

    Que venham muitos e muitos mais desafios como esse!!!

    Responder

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Por Caroline & Claudia Tonaco

Sabia que o melhor hotel de praia do mundo está e Sabia que o melhor hotel de praia do mundo está em Dubai?

O Atlantis The Royal, em Palm Jumeirah, foi eleito o Best Beach Hotel 2026 pelo The World’s 50 Best Hotels. O hotel também ficou em 4º lugar no ranking dos melhores hotéis do mundo e foi escolhido como o melhor hotel do Oriente Médio.

E aqui vale uma explicação: Dubai tem dois hotéis Atlantis. O Atlantis The Royal é o mais novo deles e fica ao lado do tradicional Atlantis, The Palm. 
São propriedades diferentes, embora façam parte do mesmo complexo e compartilhem algumas experiências.

Inaugurado em 2023, o Atlantis The Royal tem 795 quartos e suítes, 17 restaurantes, uma praia privativa de 2 km, piscinas, spa e uma arquitetura marcada por grandes blocos horizontais que se estendem pela Palm Jumeirah.

A gastronomia é um dos destaques, com restaurantes como Dinner by Heston Blumenthal, Nobu by the Beach, Estiatorio Milos, La Mar, Ariana’s Persian Kitchen e Carbone Dubai.

Para completar, os hóspedes têm acesso ao Aquaventure World, um dos grandes atrativos do complexo Atlantis, com parque aquático, atrações para diferentes idades e o Lost Chambers Aquarium.

O resultado no ranking também mostra uma trajetória de ascensão: o Atlantis The Royal estreou na lista em 2023, na 44ª posição; chegou ao 9º lugar em 2024, ao 6º em 2025 e agora alcança o 4º lugar entre os melhores hotéis do mundo.

📍 Atlantis The Royal | Palm Jumeirah, Dubai

#Travel3 #Dubai #AtlantisTheRoyal #PalmJumeirah #dubaihotels
A Costa Rica também se conhece à mesa! Ao longo A Costa Rica também se conhece à mesa!

Ao longo da viagem, provei pratos do dia a dia, receitas de família, frutos do mar, cervejas artesanais, queijos produzidos nas montanhas, cafés de altitude e até vinhos cultivados em território tropical.

Do gallo pinto ao menu contemporâneo do Silvestre, dos tamales preparados em casa aos queijos do Vale do Chirripó e aos vinhos de Dota, cada experiência contou um pouco mais sobre o país.

A Costa Rica não muda apenas de paisagem. Muda também de sabor.

A matéria completa já está no Travel3. 
Link na bio.
🍽️🇨🇷
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Nem só de mar vive a Costa Rica. 🇨🇷 Depois Nem só de mar vive a Costa Rica. 🇨🇷

Depois das baleias no Pacífico, vieram cachoeiras, preguiças, florestas, chuva, aves e as terras altas de Dota, com temperaturas próximas dos 10°C.

Foi isso que mais me surpreendeu no país: em poucas horas de estrada, tudo muda — a paisagem, o clima e até a forma de observar a natureza.

O mar é espetacular. Mas é apenas uma das muitas versões da Costa Rica.

Pura Vida. 💚🇨🇷
O esperado encontro com uma baleia-jubarte no Pacífico da Costa Rica!

Ela surgiu ao lado do barco, e esse momento ficou pra eternidade! ❤️🐋🇨🇷

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