Pela 1ª vez consegui ficar cara a cara com essa constelação que é uma velha conhecida da humanidade
Nesses tempos de isolamento social voltei a fazer algo que sempre gostei, mas que a falta de tempo apagou do meu dia a dia: olhar para as estrelas. Está aí algo que eu adoro. Ter tempo de verdade para observar um céu estrelado é, para mim, um verdadeiro luxo. Não tem viagem melhor e mais relaxante, principalmente nestes dias, ou melhor, nessas noites em que o mundo experimenta tantas incertezas.
Sempre dormi com as cortinas abertas, pois esta é melhor chance que tenho de calmamente observar os brilhos celestes. Embora as luzes da cidade ofusquem as do céu, ainda assim é possível apreciar a lua ou as maiores estrelas que vão circulando noite afora, pelo firmamento.
Há alguns dias, porém, fui surpreendida com uma visão quase mágica. Fui apresentada, pela 1ª vez, à uma estrela chamada Dubhe, uma das mais brilhantes da constelação de Ursa Maior. Esse encontro se deu pouco antes do sol nascer. Eu, no meu quarto, no lusco-fusco da madrugada, abri os olhos e lá estava ela no céu. Uma estrela quase do tamanho de uma bolinha de gude. Finalmente me vi cara a cara com a Dubhe e, consequentemente com a Ursa Maior, uma velha conhecida da humanidade que eu tanto ouvira falar, mas nunca tinha visto com os meus próprios olhos.
Desde criança ouvia e lia as histórias da Ursa Maior e passei a imaginá-la como um conjunto de estrelas protetoras, a luz no céu que guiou civilizações para os seus destinos; exploradores para as suas descobertas; escravos e injustiçados em fuga, para a liberdade.
A Ursa Maior só é visível no Hemisfério Norte e desde que descobri que podia ver a sua maior e mais brilhante estrela da janela do meu quarto, aqui em Toronto, passei a acordar todas as madrugadas para saudá-la e assistir a sua passagem elíptica pela minha janela. Quando a vejo estou sempre sonolenta, mas ainda assim sorrio e agradeço aos céus, antes de cair no sono novamente.


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