Suítes automatizadas permitem controlar luzes, cortinas e climatização por comandos de voz com a Alexa
Foi preciso apenas uma frase para mudar a temperatura do quarto. Depois de um dia de trabalho em São Paulo, não precisei procurar o controle do ar-condicionado nem apertar nenhum botão. Bastou pedir à Alexa.
Eu estava hospedada em uma Business Suite do Radisson Oscar Freire, na região dos Jardins. A localização é um dos trunfos do hotel: a poucos passos de lojas, restaurantes e serviços, em uma área que atrai tanto quem vai às compras quanto quem busca boa gastronomia, tem compromissos profissionais ou pretende aproveitar a vida noturna paulistana.
Mas foi dentro da suíte que encontrei uma das surpresas da estadia. Ali, boa parte do ambiente responde à voz do hóspede.

Alexa, deixe o quarto do meu jeito
Na Business Suite, testei os comandos para abrir e fechar as cortinas, acender ou apagar as luzes, ligar a televisão e controlar o ar-condicionado, inclusive a temperatura. Depois de um dia cheio, ajustar o ambiente sem sair da cama deixa de ser apenas uma curiosidade tecnológica. É algo que logo entra na rotina.
A organização do espaço também merece atenção. Além do amplo dormitório, há uma área para trabalho ou refeições e um closet separado, com espaço para guardar roupas e malas. Uma bancada de apoio e o frigobar ficam em áreas distintas. Máquina de café em cápsulas, chaleira elétrica, ferro e tábua de passar completam a estrutura, que permite desde preparar um café até resolver o imprevisto de encontrar uma roupa amassada na mala.
Viajei com dois celulares e um notebook e logo percebi outro acerto: as tomadas ficam em pontos úteis, e as mesas de cabeceira contam com entradas USB para recarga. Pode parecer um detalhe banal, mas faz diferença para quem precisa manter vários dispositivos carregados durante a viagem.

Uma reforma que considera diferentes hóspedes
O Radisson Oscar Freire tem 133 apartamentos e passa por um processo gradual de retrofit. Além da renovação dos ambientes, o projeto contempla necessidades específicas de diferentes perfis de hóspedes.
Nos apartamentos voltados para famílias, por exemplo, há previsão de sofá-cama, mesa maior e, em determinadas unidades, micro-ondas. Para quem viaja com crianças pequenas, ter onde aquecer uma mamadeira sem precisar sair do quarto durante a noite pode fazer diferença.
A acessibilidade também integra a renovação. As unidades adaptadas para pessoas com deficiência contam com recursos que facilitam o uso do ambiente, sem deixar de lado a estética. As portas abrem e fecham automaticamente, e a Alexa permite controlar funções do quarto por comandos de voz. Esses recursos também podem beneficiar pessoas idosas, hóspedes com mobilidade reduzida e quem está em recuperação de cirurgias ou outros procedimentos.
Nesses casos, a automação vai além da comodidade e pode contribuir para dar mais autonomia durante a hospedagem.
Automação também pode reduzir o desperdício
A intenção do hotel é ampliar a automação à medida que as reformas avancem. Por enquanto, os recursos estão disponíveis em parte das unidades, mas o projeto prevê expandir essa estrutura.
Os apartamentos automatizados contam com sensores de presença que permitem desligar equipamentos quando o ambiente está vazio. O sistema tem potencial para reduzir o consumo de energia, embora ainda não haja dados consolidados sobre a economia gerada.
A preocupação ambiental aparece em outras escolhas, como o uso de energia de fonte renovável e a redução de plástico. Nos frigobares, por exemplo, a água é oferecida em latas ou embalagens cartonadas, em vez de garrafas plásticas.
São medidas que nem sempre chamam a atenção durante a estadia, mas fazem parte da operação do hotel.

Do café da manhã aos momentos de lazer
O café da manhã oferece boa variedade de itens. Durante minha estadia, também experimentei o serviço de jantar na suíte e gostei da refeição.
Quem prefere pedir comida por aplicativo pode contar com a equipe do hotel para receber o pedido e levá-lo ao quarto. É uma alternativa útil para quem chega cansado ou prefere fazer uma pausa sem sair da acomodação.

A estrutura inclui ainda uma piscina coberta na cobertura, academia, espaços para trabalho e uma miniloja de conveniência. Para compromissos profissionais e ocasiões sociais, o hotel dispõe de salas para reuniões e eventos, com estrutura para encontros de negócios e celebrações.
O restaurante tem uma renovação da decoração e do ambiente prevista, mas continua funcionando normalmente, tanto para hóspedes quanto para o público em geral.

A tecnologia atende à voz. A hospitalidade entende o hóspede.
Se a automação foi uma das novidades de que mais gostei, o atendimento também marcou a estadia. A equipe se mostrou atenciosa e disponível para esclarecer dúvidas e ajudar com as demandas do dia a dia.
Também percebi a diversidade de públicos. Havia executivos, hóspedes que aproveitavam a proximidade das lojas para fazer compras e pessoas que se preparavam para sair à noite. A localização favorece essa combinação de trabalho e lazer, em uma região que convida a explorar São Paulo a pé.
Segundo a gerente-geral do Radisson Oscar Freire, Patrícia Garcez, mais de 40% dos hóspedes mantêm uma relação de longa data com o hotel. Há clientes que retornam há muitos anos, um sinal da importância do vínculo humano mesmo em um ambiente cada vez mais automatizado.
“Não adianta colocar tudo no tecnológico e esquecer o humano”, resume Patrícia.

A frase traduz bem minha experiência. A Alexa fecha as cortinas, ajusta a temperatura e apaga as luzes. Já a equipe esclarece dúvidas e está disponível quando surge uma necessidade que vai além dos comandos de voz.
Saí com a impressão de que a melhor tecnologia na hotelaria é aquela que resolve o que pode ser automatizado sem deixar de lado o que depende de atenção humana. Na minha suíte, bastava pedir. E, para o restante, havia alguém pronto para ajudar.



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