Alta no número de viajantes muda o planejamento e pressiona destinos mais procurados
O turismo internacional fechou 2025 com o maior número de viagens já registrado. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), 1,52 bilhão de deslocamentos cruzaram fronteiras no ano passado — superando os 1,5 bilhão de 2019, que até então era o recorde histórico. O resultado encerra de vez o debate sobre a recuperação do setor.
O crescimento foi distribuído de forma desigual entre as regiões. A Europa seguiu como o continente mais visitado, com cerca de 750 milhões de chegadas, impulsionada pela retomada do turismo americano e pelo crescimento de visitantes da Ásia. A Ásia-Pacífico registrou a maior taxa de crescimento percentual — 34% acima de 2024 — liderada por Japão, Coreia do Sul e Tailândia. As Américas cresceram de forma mais moderada, mas o Brasil aparece entre os mercados emissores que mais expandiram o número de viajantes ao exterior.
Japão foi a grande surpresa
O Japão foi o caso mais notável do ano. O país recebeu mais de 38 milhões de turistas estrangeiros em 2025 — número recorde em sua história, impulsionado pela isenção de visto para brasileiros (em vigor desde 2023), pela desvalorização do iene e pelo crescimento global do interesse pela cultura japonesa. Para efeito de comparação: em 2019, o Japão recebeu 31,9 milhões de visitantes.
+ Quanto custa viajar para o Japão em 2026

Europa continua enfrentando o excesso de turistas
A Europa enfrentou um paradoxo que vai definir o setor nos próximos anos: o volume recorde de turistas gerou pressão crescente em destinos de alta concentração como Veneza, Barcelona, Amsterdã e as ilhas gregas. Em 2025, Veneza implementou a taxa de acesso diário para visitantes de fora da cidade, e Barcelona limitou novos alvarás para aluguel de curta temporada. O debate sobre overtourism — turismo excessivo em destinos saturados — saiu dos relatórios acadêmicos e entrou na agenda política de vários países europeus.
O que esse cenário mostra ao viajante
Para o viajante, o que esse cenário muda na prática? Principalmente o planejamento. Com mais pessoas viajando para os mesmos destinos nos mesmos períodos, reservas de última hora perderam viabilidade. Voos e hotéis nos principais destinos europeus para julho e agosto de 2026 já registravam ocupação acima de 80% em março — quatro meses antes da temporada. Quem espera, paga mais ou não encontra vagas.
O crescimento do turismo também empurrou os preços para cima em destinos de alta demanda. O custo médio de uma semana em Paris, Roma ou Londres subiu entre 15% e 22% em 2025 em relação a 2023. A alternativa que os viajantes experientes estão adotando: destinos adjacentes com estrutura equivalente e menor saturação — como Lyon no lugar de Paris, Bolonha no lugar de Roma, ou Porto no lugar de Lisboa.






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