O presidente da Alitalia, Luca Cordero di Montezemolo, comunicou nesta terça (25 de abril) a Entidade Nacional para a Aviação Civil Italiana (Enac) sobre a decisão do conselho de administração de iniciar os procedimentos para que uma comissão governamental assuma a administração da empresa.
Depois de quase 70% dos funcionários terem recusado, em plebiscito, um pré-acordo entre a diretoria e sindicatos que previa o corte de salários e demissão de mais de 2 mil dos 12,5 mil funcionários para que houvesse um plano de capitalização viável. Com a negativa, a empresa corre o risco de entrar em processo de falência.
A venda parcial ou total dos ativos também está em análise e nesta quinta (27 de abril) deverá haver uma posição oficial do governo que já declarou não aceitar a idéia de nacionalização da companhia. Entre possíveis interessadas dentro do ambiente de momento, fala-se da Lufthansa, mas a empresa alemã desconversa sobre o assunto.
Nos 70 anos de história, foram poucas as vezes que a Alitalia conseguiu lucros anuais, perdendo cerca de 500 mil euros por dia e com a previsão de ficar sem dinheiro nas próximas semanas,
A Alitalia está parcialmente privatizada. A holding Compagnia Aerea Italiana (CAI), que reúne um grupo de empresas estatais, detém 51% e a árabe Etihad Airways os 49% restantes.
Em 2009, a companhia esteve para ser vendida à Air France-KLM, mas a aquisição foi travada por Silvio Berlusconi, primeiro-ministro na ocasião, que criou a CAI com o objetivo de segurar a Alitalia nas mãos do estado italiano.
Desde então, com a crise no país, as empresas não tiveram condições para realizar os investimentos necessários e não conseguiram alavancar a companhia. À beira da falência em 2013 e 2014, a Alitalia foi salva pela injeção de capital da Etihad Airways.
Avião da Alitalia no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo; companhia mudou recentemente de direção no Brasil com a indicação de Carlos Antunes
No ano passado, a companhia voltou a apresentar elevados prejuízos, na ordem dos 400 milhões de euros. Neste momento, as necessidades de sobrevivência da companhia exigiriam um volume mensal de arrecadação de 200 milhões de euros em passagens para fazer frente aos 55 milhões necessários no combustível, 51 milhões para a folha salarial, 60 milhões pelos direitos de tráfego e operações, 35 milhões para compromissos de leasing e outros 16 milhões para manutenção.
Caso o pedido de insolvência venha a se confirmar, isto implicará muito provavelmente no fechamento das rotas que dão prejuízos (a maioria ao nível doméstico) e a venda de aeronaves para ajudar a pagar aos credores.
No plano estratégico de recuperação que a Alitalia pretendia implantar, a redução de custos previstos era de 1 bilhão de euros.





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