Para finalizar a expectativa, o Leicester City – os jogadores, todo o elenco de 23 comandado pelo técnico Claudio Ranieri, os torcedores, a cidade à beira da euforia total – todos aguardavam um deslize do Totenham, o único time ainda com possibilidades de evitar a comemoração do pequeno-gigante. Com o empate de 2×2 diante do Chelsea, no clássico londrino, tudo virou festa e uma enorme façanha dentro do futebol inglês.
O Leicester marca sua história e a transformação que certamente ocorrerá, inclusive no turismo. Muitos visitantes vão querer conhecer a cidade que tem o novo e indiscutível campeão de futebol daquele que é o mais rico campeonato do mundo, a Premier League.
Um autêntico ‘conto de fadas’ para os ‘foxes’ ou ‘os magnificos’ como já passaram a ser chamados os heróis desta conquista. Um time que provou não ser preciso gastar dezenas de milhões de libras para ser um legítimo campeão
O Leicester foi a 13ª. equipe em gastos, utilizou 37,62 milhões de libras, um quarto do total de compras do Manchester City (152 milhões). Até o rebaixado Aston Villa gastou mais (49 milhões). Quem apostava uma libra antes da bola rolar na famosa Bolsa londrina, faturou cinco mil libras com o sucesso inesperado deste surpreendente time, uma volta ao gosto romântico do futebol.
Muitos davam o Leicester como de retorno antecipado para a segunda divisão inglesa quando o campeonato começou. Era o principal candidato para tal. Seu técnico, um italiano itinerante que nunca havia ganho nada em lugar nenhum. Os jogadores, sem nenhum nome que antecipasse sucesso. Em dez meses, tudo mudou. Com uma equipe que não tinha créditos, e um treinador no qual poucos acreditavam, é o novo campeão de Inglaterra.
O futebol inglês não tinha um campeão fora do eixo dos grandes (Chelsea, Manchester United, Arsenal e Manchester City, antes o Liverpool) desde o Ipswich, em 1962. Somente três derrotas em uma campanha incrível, com um time extremamente eficiente, de muito toque e envolvimento, do contra-ataque rapidíssimo e das bolas paradas.
O médio franco-argelino Mahrez é o craque do time, reconhecido como o melhor jogador da temporada
Assim, na Inglaterra do ano que vem, quando os sinos do Big Ben estarão em silêncio na grande reforma da famosa torre do relógio (cujo som é ininterrupto durante 150 anos), em um projeto que custará US$ 40 milhões, a presença líder do futebol inglês terá um novo nome na Champions League – o Leicester City.
É o clube de futebol fundado em 1884 e representante da décima maior cidade inglesa, de 400 mil habitantes, a 160 km. de Londres. Fundada em 50 dC, ainda na época do Império Romano, Leicester é a maior concentração da região de East Midleands e tem entre seus nomes famosos – antes dos heróis de agora – , os musicos John Lord (Deep Purple), John Deacon (Queen), os atores Richard Armitage (O Hobbit), Dominic Keating, (o Malcom Reed da série Star Treek), a escritora Sue Towsend e a menina Madeleine MCann que desapareceu no Algarve durante férias em Portugal e se transformou em um dos mais rumorosos casos na Europa, até hoje não desvendado.
Confirmada a conquista, agora o que se fala mesmo é no feito do Leicester City Football Club, o novo grande feito da cidade que até recentemente ainda tinha como grande atrativo o fato do rei Ricardo III, ultimo soberano inglês morto em combate, estar enterrado na catedral local.








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