A fazenda é tombada pelo Patrimônio Histórico, e sua restauração preservou todos os detalhes de época e acrescentou itens de conforto para o hóspede (Fotos: Raul Coelho)
Plantada em um vale fértil, no caminho entre Ouro Preto e Tiradentes, a pequena cidade de Santana dos Montes é um sossego só. Com apenas 4 mil moradores, é o retrato do interior mineiro. Agito mesmo só ocorre em dia de missa, quando a encantadora pracinha, cercada de casas coloniais e com um canteiro de palmeiras, fica tomada de gente – ou então em dias de festa de congada. Para o visitante que vem de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou de outros grandes centros urbanos, é um agradável respiro de calma e tranquilidade.
Santana dos Montes guarda um imenso segredo. É nessa região que foi erguida, há cerca de 250 anos, uma fazenda que, adaptada, passou a receber hóspedes que chegam em busca de descanso regado à autêntica hospitalidade mineira.
A Fazenda Fonte Limpa é datada do século 18, mais precisamente de 1742. Hoje, transformada em hotel-fazenda, sua grande riqueza está justamente na arte de receber. Distante 130km de Belo Horizonte, está encravada entre morros, no extremo sul da Serra do Espinhaço. Ela é uma das inúmeras fazendas que surgiram no período do Ciclo do Ouro para produzir alimento e abastecer as áreas das minas de ouro no entorno de Ouro Preto. Atualmente funcionando como hotel-fazenda, permite a quem a visita experimentar o turismo histórico de uma perspectiva totalmente inusitada.
A pequena Santana dos Montes é o retrato do interior das Minas Gerais
Quem passa pela porteira da sede e dá de cara com as palmeiras imperiais que enfeitam a fachada do casarão branco (com suas janelas azuis e uma robusta escadaria de granito da entrada principal) pode ter a impressão que atravessou um portal do tempo. A fazenda, tombada pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais, preserva a arquitetura original e o clima de época.
Foram sete anos de restauração que incorporou ao lugar as comodidades exigidas pelos hóspedes modernos. O trabalho foi longo e quase artesanal. Foi preciso muito cuidado para que as instalações elétricas e hidráulicas fossem embutidas nas velhas paredes de pedra e taipa, sem usar concreto e de forma a não comprometer os esteios (as vigas de madeira da fundação). Para manter as características originais da arquitetura, não houve nenhuma ampliação ou nova edificação. Todo o hotel foi adaptado aos espaços já existentes. O restaurante fica onde antes era a senzala; e os quartos, no antigo pouso para tropeiros.
O resultado é fantástico, e a atmosfera de velha fazenda histórica ficou intacta. A casa-sede, o paiol e o engenho estão como sempre estiveram há mais de dois séculos. Nas brumas das manhãs, ovelhas pastam soltas e os cavalos colocam a cabeça para fora das cocheiras à espera da primeira refeição do dia. A trilha sonora é a algazarra dos passarinhos, quebrada apenas pelo rangido comprido das rodas dos carros de boi, que os capatazes utilizam para levar lenha até as caldeiras que aquecem a água dos chuveiros e de duas piscinas, construídas em local reservado, na lateral do casarão, sem interferir no visual histórico.
O clima bucólico e a decoração de época de um dos apartamentos
São quatro categorias de apartamentos, e todos estão equipados com frigobar, TV a cabo e cama com colchões de mola. Os superiores contam com banheira de hidromassagem dupla com vista para a mata. A área de lazer, por sua vez, possui três piscinas. Duas delas são aquecidas e vêm bem a calhar nos dias de frio, assim como o spa, com sauna, hidromassagem e sala de massagens.
As melhores partes do dia são as refeições. Das panelas fumegantes no fogão à lenha saem clássicos mineiros como a costelinha de porco com mandioca, feijão tropeiro, frango ora-pro-nóbis e, aos sábados, feijoada. No bufê de sobremesas, as especialidades são os quindins, mbrosias e compotas. No jantar, faz sucesso o Minas Libre (com pinga, Coca-Cola, gelo e limão) e a Fonte Limpa (caipiroska de lima-da-pérsia).
A culinária é um dos pontos fortes do hotel-fazenda
Além de curtir o clima da fazenda e a vida mansa de Santana dos Montes, o hóspede pode aproveitar para visitar Congonhas do Campo (a 50km de distância), Ouro Preto (80km) e Tiradentes (100km). A sugestão é passar um dia em cada cidade e voltar para descansar, com estilo e autenticidade.
Quando ir
A partir de setembro, com o calor, a dica é fazer passeios ao ar livre, andar a cavalo e sair rumo às cachoeiras da região. Entre junho e agosto, por lá o ideal é curtir o frio de maneira aconchegante, saboreando a culinária mineira, recuperando as energias no spa e tomando um vinho em frente à lareira.
Como chegar
De Belo Horizonte, são 130km pela BR-040; do Rio de Janeiro, 340km, seguindo pela mesma BR-040; de São Paulo, 570km.
Quanto custa
As diárias têm preços a partir de R$ 510 com pensão completa.
Contato Fazenda Fonte Limpa = (31) 3726-1134 + www.fazendafontelimpa.com.br.




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