Hotel-palácio une tradição marroquina e design contemporâneo em projeto que atravessa um século
Desde 1923, o hotel La Mamounia ocupa posição central na paisagem urbana e cultural de Marrakech. Localizado no coração da cidade, o empreendimento consolidou uma identidade arquitetônica que combina referências da tradição marroquina com linhas do art déco europeu, em um projeto concebido pelos arquitetos franceses Henri Prost e Antoine Marchisio. A proposta uniu códigos ancestrais do Magrebe a padrões ocidentais de conforto, em uma leitura que atravessou gerações.

A fachada com arcos, painéis de madeira entalhada e mosaicos zellige remete aos palácios históricos da região. Ao mesmo tempo, elementos art déco organizam volumes, aberturas e circulações. Pátios, jardins e galerias estruturam a relação entre interior e exterior, em diálogo com o modelo dos riads marroquinos, e criam áreas de permanência em meio ao tecido urbano de Marrakech.
Nos ambientes internos, o hotel valoriza o artesanato local. Revestimentos em tadelakt, madeiras trabalhadas à mão, metais moldados por artesãos e tecidos de origem regional compõem a ambientação. Salões amplos com tetos pintados, colunas ornamentadas e iluminação cênica dividem espaço com lounges e áreas gastronômicas que adotam mobiliário sob medida, tapetes berberes e obras de arte selecionadas. Cada espaço articula herança cultural e linguagem contemporânea.

Em 2023, ano do centenário, La Mamounia passou por uma renovação conduzida pelo estúdio Jouin Manku, de Patrick Jouin e Sanjit Manku. O projeto preservou a identidade histórica do hotel e introduziu novos materiais, fluxos e soluções de iluminação. O lobby concentrou a principal intervenção, com a instalação do chamado Lustre do Centenário.
Integrada ao teto piramidal do espaço, a peça assume forma escultórica e remete aos colares tradicionais berberes tamazight. O conjunto reúne duas estruturas complementares. A interna apresenta arabescos de inspiração mourisca, com cordas de passamanaria vermelha e mais de 500 pingentes de maillechort e prata, moldados manualmente por artesãos marroquinos. A externa, criada em parceria com o estúdio tcheco Lasvit, utiliza contas de vidro luminoso com diferentes texturas, que reagem à luz ao longo do dia.

No piso, um espelho d’água em vidro texturizado reflete o lustre e amplia a percepção de profundidade. O conjunto estabelece relação direta entre arquitetura, artesanato e iluminação, e passa a funcionar como ponto central da circulação.

A renovação também alcançou lounges, galerias e bares. Materiais como carvalho fumê e mármore negro passaram a integrar áreas emblemáticas, como o Churchill Bar, que homenageia Winston Churchill, hóspede frequente do hotel, e os espaços inspirados na obra de Jacques Majorelle. As intervenções mantêm referências históricas e atualizam a linguagem visual.
Com esse projeto, La Mamounia reafirma sua posição no cenário internacional da hotelaria. Mais do que um meio de hospedagem, o hotel atua como espaço de experiência estética e cultural, em que arquitetura, design e patrimônio constroem uma narrativa contínua entre passado e presente.




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