Até anunciado como novo recorde, o número de turistas estrangeiros recebidos pelo Brasil em 2016 – ano dos Jogos Olimpicos e dos Paralímpicos – chega a ser irrisório considerando-se o contexto internacional, de destinos e países que também estão anunciando os seus visitantes do ano passado, casos de Nova York, Cingapura e Espanha.
É muito pouco, sem eufemismo e nenhuma euforia e aqui não é preciso reiterar situações atípicas do ano que passou. Depois de ter queda em 2015, um ano depois da Copa do Mundo, o número de visitantes subiu 4,8% no ano passado e chegou a 6,6 milhões, de acordo com o Ministério do Turismo.
Com isso, foram injetados US$ 6,2 bilhões na economia, pouco mais de R$ 20 bilhões, valor 6,2% maior comparado aos US$ 5,8 bilhões de 2015. O dinheiro que entrou não foi recorde porque as variações cambiais refletem diretamente no movimento econômico do setor.
O principal mercado emissor para o Brasil no ano passado continuou sendo a Argentina (2,1 milhões), seguido pelos Estados Unidos (580 mil). Na lista dos principais seguem Chile, Paraguai, Uruguai, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Portugal e Espanha.
O lazer foi o principal objetivo da viagem, apontado por metade dos turistas. A maioria hospedou-se em em hotéis, flats ou pousadas e viajou em família ou casal. Cerca de 30% do total de viajantes foram influenciados por amigos e parentes e 40% se informaram pela internet.
E 2017?
Para este ano, o MTur tenta mostrar uma expectativa de crescimento no fluxo de estrangeiros, estimando em torno de 6%, dentro da tendência de crescimento registrada em outros países que sediaram Olimpíadas, no ano seguinte ao evento. O último crescimento antes dos Jogos tinha sido de 0,92%.
Há um pequeno vestigio de confiança também no aumento da promoção internacional dentro do novo modelo de atuação da Embratur, se isto vier a tempo dentro da temporada. O governo promete ações de estímulo também para o turismo interno, mas no consenso geral – e aí o trade mantém esta posição – não se deve esperar uma grande diferença.
No ano passado, o Ministério do Turismo recebeu R$ 235,9 milhões, o terceiro pior orçamento do governo. Com a liberação de alguns créditos e recursos para PAC, o ano fechou com o valor empenhado de R$ 671,4 milhões.
Um dos principais empenhos da pasta segundo o ministro Marx Beltrão deve ser a ampliação dos recursos:
“O turismo é uma das atividades que mais dão retorno, mesmo com investimentos mínimos. Acredito que se passarem as medidas que estamos trabalhando com o apoio da Casa Civil, o problema de recursos poderá ser sanado”, afirmou.
Termina nesta sexta-feira (6 de dezembro) o prazo para que representantes do Conselho Nacional do Turismo encaminhem ao Ministério do Turismo suas propostas para a nova Lei Geral do Turismo que deverá ser encaminhada para análise e votação no Congresso ainda neste primeiro semestre.
No documento, o MTur avança sobre temas como a redução da diária de 24 horas para hospedagem, a inclusão de albergues e hostels como conceito de hospedagem, o direcionamento das receitas com as cobranças de multas para os entes executores da fiscalização.
O texto sugere, ainda, o reconhecimento dos cruzeiros aquaviários como prestadores de serviços turísticos, além do fortalecimento de profissões regulamentadas e reconhecidas do setor, como os guias de turismo e turismólogos. As alterações serão fundamentais para o fortalecimento do turismo doméstico e para a atração de turistas internacionais.





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