
O cenário paradisíaco da praia de Coeira, uma das mais bonitas de toda a Bahia (Fotos: Raul Coelho/Divulgação)
A ilha de Boipeba era um segredo bem escondido. Enquanto os turistas conquistavam Morro de São Paulo, Boipeba, separada apenas pelas águas do Rio do Inferno, permanecia à sombra da ilha vizinha, mantendo-se rústica e coberta por um manto de coqueiros e manguezais.

À noite, a atração é dormir, curtindo a tranquilidade do povoado
Agora, Boipeba faz parte dos sonhos de quem procura uma praia deserta (não apenas uma, mas várias!), pousadas gostosas e um astral de paraíso ainda não descoberto. Como se trata de uma ilha, esqueça-se do carro. Você só chega lá de barco, saindo de Valença, ou a bordo dos aviões da Addey Táxi Aéreo, que partem todos os dias do aeroporto de Salvador e pousam em uma pista do outro lado da margem do rio.

Um dos apartamentos da Pousada Mangabeiras, a melhor da ilha
A vila de Boipeba é simples e sem charme. Tem cerca de 2 mil moradores, todos mais ou menos parentes ou tão conhecidos que acabam sendo tratados como uma grande família. As ruas são estreitas, porém ganharam calçamento há alguns anos, embora não exista nenhum carro circulando por elas. Os únicos motores que roncam são os dos barcos e do trator que recolhe o lixo das casas pela manhã. Nem praça Boipeba tem, só um campinho de futebol com mato alto que serve de centro da vila. Também não há som alto, festas e axé. Se quiser agito, esqueça, pois em Boipeba a vida noturna fica por conta do azougue das cigarras e dos grilos na mata.

Apenas você, o mar, a areia, os coqueiros e a vegetação de mangue, na praia Boca da Barra
Autenticidade assim é algo cada vez mais difícil de encontrar, especialmente no concorrido litoral baiano. Boipeba é lugar perfeito para você liberar seu lado bicho-grilo ou, até mesmo, descobri-lo. Pousadas transadas ― como a Mangabeiras, que integra a Associação Roteiros de Charme, e a Alizées Moreré ― foram construídas no alto de morros, com bangalôs privativos e vista para o mar. Nelas, os hóspedes (a maioria casais) jantam à luz de velas e namoram na rede, vendo as estrelas. Em outras palavras, Boipeba tem estrutura suficiente para não ser mais considerada apenas um programa para mochileiros.

Num sobrevoo, a visão da quase selvagem praia de Coeira
Para curtir as praias, a melhor forma é caminhar, até porque, na maioria delas, não há outra maneira de chegar. O único meio de transporte são os tratores, que fazem o percurso entre a vila e o povoado de Moreré, a 7km. O trajeto leva 20 minutos, mas o trator só sai se houver, pelo menos, oito passageiros, o que é difícil ocorrer em dias de baixa temporada.

Ao sul da ilha, a praia de Castelhanos é perfeita para prática de snorkeling
Duas praias são especialmente maravilhosas: Coeira e Moreré. A primeira fica em uma fazenda de coco, a meia-hora de caminhada. A praia só não é deserta porque nela funciona o Restaurante do Guido, um nativo que, durante décadas, serve lagosta na praia. O restaurante tem movimento impressionante, já que as lanchas que vêm de Morro de São Paulo sempre fazem uma parada ali. Contudo, nem sempre foi assim. Por muito tempo, Guido serviu as porções de lagosta, que ele mesmo pescava, em palhoça improvisada, à sombra de uma amendoeira. Mas desde que conseguiu um sócio, há três anos, Guido abriu o restaurante, cujas mesas se espalham pela areia e, agora, chega a servir centenas de quilos do crustáceo num único dia de alta temporada.

Imperdível é experimentar uma lagosta no Restaurante do Guido
A outra praia cinematográfica é Moreré, a 1 hora de caminhada desde a vila de Boipeba. Ali está um grande arrecife de coral, onde, na maré baixa, surgem piscinas naturais. Os turistas fazem snorkeling e, depois, seguem para os restaurantes da praia, como a Cabana de Palha, que serve a moqueca de camarão-pistola com banana da terra e o catado de caranguejo, os dois pratos mais típicos da ilha.

O charmoso lobby do Alizées Moreré…

…hotel que é famoso pelos pratos preparados em seu restaurante
Já para ir às praias do extremo sul da ilha, como Bainema e Castelhanos, a melhor forma é fazer o passeio de lancha chamado de Volta à Ilha. Custa R$ 100 por pessoa e dura o dia inteiro. Vale a pena, principalmente por conta da parada na Praia dos Castelhanos, uma baía de águas calmas e deserta que fica ao lado da foz do rio Catú. Castelhanos tem esse nome porque, em 1536, uma nau espanhola bateu nos corais e naufragou, ali mesmo, com 110 homens a bordo. Todos conseguiram nadar até a praia, mas foram devorados em seguida pelos índios tupinambás. As lanchas fazem uma parada para snorkeling nas mesmas piscinas naturais na quais o navio espanhol naufragou.

Uma manhã perfeita, na praia de Moreré
Boipeba, aos poucos, está sendo revelada ao mundo. Os turistas chegam cada vez em maior número. E muitos são estrangeiros, como é o caso da espanhola Anita Fernandes. Ela saiu de Barcelona, há um ano, para passear em Boipeba. Gostou tanto que nunca mais foi embora. Alugou uma casinha na Praia de Moreré e ganha uns trocos vendendo doces na praia. Apesar da vida simples, nem pensa em voltar para a Espanha. “Amei esta ilha. Sinto uma espiritualidade forte aqui. Para quem tem perguntas sobre a vida, Boipeba entrega facilmente as respostas.” Deve ser verdade. Quem olha para as estrelas à noite no céu da ilha jamais fica indiferente. Existe uma energia forte ali. Vem do mar, da mata, do sol… A natureza fala em Boipeba e escuta todos que se dispõem a ouvir.

Um passeio bucólico pela vila de Boipeba
Curta uma temporada em Boipeba
Faz sol o ano todo no litoral da Bahia. Convém, apenas, evitar o período das chuvas, entre maio e agosto.
Saiba o caminho das pedras
As lanchas para Boipeba saem de Valença, Graciosa e Torrinha. A maioria dos turistas chega via Valença, cujas lanchas rápidas da empresa Dattoli (www.dattoli.tur.br) saem às 10h, às 12h, às 15 e 17h, levam 1 hora no traslado e a passagem custa R$ 38. A forma mais prática é ir de avião, como a Addey Táxi Aéreo (www.addey.com.br). O voo sai do aeroporto de Salvador e leva apenas 30 minutos até Boipeba. A passagem custa R$ 480.
Hospede-se para curtir
Mangabeiras (www.pousadamangabeiras.com.br): a pousada mais luxuosa da ilha tem ótimos bangalôs = camas king size + TV + varanda com rede. Fica na Praia da Boca da Barra, a 15 minutos de caminhada da vila, e tem diárias a partir de R$ 490.
Alizées Moreré (www.hotelalizeesmorere.com): tem bangalôs instalados na encosta de um morro na tranquila Praia de Moreré, com varandas + rede + vista maravilhosa para o mar. O restaurante é gourmet, e os quartos não tem TV, para turbinar o romance dos casais. As diárias estão a partir de R$ 380.
Canoa Nativa (www.canoanativa.com): são três chalés coloridos, no meio da mata, estilo loft, com mezanino, bem ao lado da Praia da Boca da Barra. Diárias a partir




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