A beleza selvagem da praia do Cedro (Fotos: Raul Coelho)
No litoral norte paulista, entre o Rio e São Paulo, ainda existem diversas praias selvagens, tomadas por mata atlântica nativa e onde só se chega de barco ou caminhando por trilhas. Parece difícil de acreditar, mas quem pisa na areia da deserta Praia da Puruba, depois de atravessar de canoa um riozinho que a separa do continente, fica perplexo ao saber que se está a menos de 3 horas de carro de São Paulo. Ela é das mais acessíveis, e os carros são deixados num estacionamento à margem do rio. O mesmo ocorre com a Praia da Fazenda, comprida, com areia escura e batida, que fica dentro do Parque Estadual da Serra do Mar.
Puruba, e a maioria dessas faixas de areia ainda intocadas, ficam em Ubatuba. O município conta com 83 praias no total, das quais pelo menos uma dúzia ainda se mantém distante da civilização. Não é difícil entender o porquê. Como Ubatuba tem 120km de costa, a média é de uma nova praia a cada 1,5km. Muitas delas são minúsculas e nem aparecem nos mapas de turismo, embora estejam quase coladas àquelas mais conhecidas, que vivem sempre lotadas – o que é ainda mais surpreendente.
No cenário preservado da praia Brava do Camburi, só se chega por trilhas
Quem frequenta a sempre “muvucada” Praia Grande, por exemplo, à beira da rodovia Rio-Santos, nem imagina que, se dirigir por apenas 15 minutos por uma estrada de terra que começa no canto esquerdo da praia e caminhar mais 5 minutos por uma trilha, chegará a um pequeno paraíso chamado Praia do Cedrinho, mais frequentada por pescadores do que turistas.
Turista atravessa trecho de mata, saindo da praia de Fortaleza para chegar à praia do Cedro
Já quem está na Praia do Félix, que é longa, reta e tomada por um condomínio, caminha 20 minutos por uma trilha e desemboca num cantinho deserto e isolado, tomado por conchas que justificam seu nome: Praia das Conchas. Em Ubatuba é assim: uma simples trilha separa o urbano da natureza, o que te leva a perguntar por que os turistas preferem se amontar em praias lotadas, como Toninhas e a própria Praia Grande, e ignoram solenemente as mais bonitas?
A preservação do litoral de Ubatuba se deve também à geografia da região. As montanhas da Serra do Mar avançam até a beira da praia, formando enseadas inacessíveis. Escondidas pelos morros, muitas praias não são avistadas por quem passa de carro pela sinuosa rodovia Rio-Santos, como acontece com a Praia do Alto (cuja entrada se dá por uma escada bem ao lado da pista, logo após passar por Itamambuca).
O visual do café da manhã, na Pousada Picinguaba
Em outros casos, especialmente no litoral sul de Ubatuba, há diversas penínsulas de terrenos íngremes, cujas praias passam distante do asfalto da Rio-Santos e não têm estradas de acesso. É o caso da Praia do Cedro, linda e selvagem, acessada apenas por uma trilha (de uma hora de caminhada) que começa na Praia da Fortaleza. No caminho que leva ao Cedro, passa-se por outras praias belíssimas, como a do Bonete e a Grande do Bonete. Esta última tem uma comunidade de pescadores que parece desprezar os confortos da vida moderna. Não existem ruas na vila, só caminhos de areia, e a luz elétrica é a base de gerador.
Pescadores curtem um dia de sol em Puruba
Já no trecho norte de Ubatuba, a ampliação da área do Parque Estadual da Serra do Mar, há uma década, foi a grande responsável pela preservação de praias como a Brava da Almada (acesso a partir da Almada) e Brava do Camburi (a partir de Camburi), onde só se chega por trilhas (1 hora de caminhada, em média). Justamente por conta da dificuldade de acesso, pouca gente vai até elas. Mas quem se arrisca raramente se arrepende, pois pode vislumbrar cenários inimagináveis assim tão perto de São Paulo.
Outros locais, por sua vez, são bastante acessíveis, mesmo de carro, como as praias da Puruba (já comentada), na qual o carro fica num estacionamento à margem do rio e atravessa-se de canoa até a areia e a Praia da Fazenda (comprida, com areia escura e batida), que fica dentro da área do Parque Estadual.
A rodovia Rio-Santo oferece acesso rápido e com infraestrutura, até Ubatuba
O grande problema das praias selvagens de Ubatuba são os borrachudos, ainda mais vorazes por conta da mata nativa que toma conta dos morros em volta. Basta, entretanto, caprichar no repelente, para ficar tranquilo diante dos esquadrões sanguinários. Quem encara os borrachudos e os percalços com certos trechos em estradas de terra ganha de prêmio não apenas praias inteiras só para si, mas algumas das paisagens à beira-mar mais lindas do Brasil.
Quando ir
É melhor entre março e junho ou entre setembro e novembro, para evitar a maior dor de cabeça para o turista em Ubatuba, a chuva. Chove bastante em Ubatuba, daí o apelido “Ubachuva”. Ali está o mais alto índice pluviométrico de toda a costa brasileira. O motivo é a Serra do Mar, que retém as nuvens.
Onde ficar
Pousada Picinguaba = elegante e agradável, em uma simpática vila de pescadores, no extremo norte de Ubatuba. www.picinguaba.com
Casa Milá = são oito suítes fincadas na encosta do morro, em meio à mata, a 1,5km da Praia Brava da Almada. www.casamila.com.br
Finca Espírito Santo = faz o estilo rústico-confortável, com chalés no meio da Mata Atlântica, próxima à praia de Ubatu-Mirim. www.fincaespiritosanto.com.br
Casa do Sol e da Lua = fica na Praia da Fortaleza, que tem mar calmo e bom para crianças. É ponto de partida para a trilha que leva às praias do Cedro, Bonete e Grande do Bonete. www.acasadosoledalua.com.br




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