Texto e Fotos: Gilson de Souza

A corrida é conhecida como a mais rápida da América do Sul e, em 2018, foram + de 7.000 inscritos

Porto Alegre, junho de 2018

Chegou a hora da maratona e o tempo prometia frio com muita chuva, uma mistura não muito agradável para acordar às 5h e sair para correr. A previsão não errou dessa vez. Era esse clima que receberia os + de 7.000 inscritos na maratona mais rápida da América do Sul. Mas lá fomos nós!

Muitos, mesmo na largada, deixavam suas blusas de frio, luvas e capotes jogados em cantos improvisados. Era necessário desviar deles e, passada a passada, tentava conhecer as ruas ou visualizar o grande rio que nos acompanhou por muitos quilômetros. Era o Guaíba, que ora é rio e ora é lago envolvendo toda Porto Alegre.

Nessa hora, os treinos são primordiais e diferencia corredores de corredores. 10km, 16km, e a plaquinha que eu mais esperava: aquela que separava o trajeto da meia maratona da maratona completa. Dali não tinha retorno.

Continuei na direção mais longa em direção ao centro da capital gaúcha. No km 21, vi que o corpo estava respondendo bem e que estava mantendo um ritmo esperado. Tentava ignorar as plaquinhas que passavam de km em km para que a mente se mantivesse tranquila e firme no propósito.

Resolvi curtir a arquitetura local e desviar das infinitas poças d’água. Uma banana veio a calhar, ingerindo bem devagar por uns 4km. Gel, pílulas recomendadas pela nutricionista também manteve o corpo alimentado. Dessa forma vi passar 28km, 32km e o temido km 35.

Olhei o relógio e calculei se conseguiria completar dentro da meta auto-estipulada: sub-5h. A alegria e satisfação tomaram conta de mim. Nos treinos, a distância de 42km tinha percorrido com 5 horas e 15 minutos e numa outra ocasião, cheguei a 6 horas de corrida.

Mas Porto Alegre se manteve na promessa de “Maratona mais rápida” e o corpo continuou se mantendo disposto e eufórico. Já não era eu quem gritava para todos “bora, amigão!!!” à medida em que passava por eles. No Km 38 vi que terminaria bem e no km 39 veio o inesperado.

Talvez pelo corpo estar bem desidratado, bebi de uma vez só um isotônico fornecido pela organização. Parece que parou no estômago e por lá ficou. Pesado e socando por dentro da barriga perdi o ritmo, mas não perdi a euforia. 40, 41 e 42! Cruzei a linha de chegada batendo palmas e feliz da vida. Havia conquistado, enfim, minha primeira medalha de 42,195Km com um tempo que me fez chorar literalmente: 4h45’38”.

Obrigado Porto Alegre e que venham muitos mais km de corrida pela frente.

2 Comentários

  1. Parabéns Amigão! Vc foi lá e entregou o proposto!! 1a de mts!!!! 💪👊

  2. Parabéns caro amigo. Sua conquista é nossa conquista, já que representa tanto para todos nós do Colégio Batista Mineiro e de BH. Continue sua rota e conquiste tantas quantas maratonas puder.

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