Ivan Martinez-Vega, do CPTM-Miami, veio ao Brasil para participar do 2º Fórum de Turismo LGBT e conversou com a Reportagem TRAVEL3

O Turismo do México tem hoje uma administração que insere conceitos de inclusão de gênero, raça e religião em seus produtos turísticos. Através dessas boas práticas de hospitalidade, o turismo se torna uma ferramenta para, também, mudar a visão da sociedade mexicana. Prova disso é o investimento que o CPTM tem feito no segmento LGBT.

CPTM Mexico

Ivan Martinez-Vega veio ao Brasil especialmente para participar do Fórum de Turismo LGBT promovido pela revista ViaG (Fotos: Claudia Tonaco)

Durante a realização do Fórum de Turismo LGBT, promovido pela revista ViaG, a TRAVEL3 conversou com Ivan Martinez-Vega, diretor do Mexico Tourism Board de Miami, que veio ao Brasil especialmente para o evento.

TRAVEL3 = Qual a importância do segmento LGBT para o Turismo do México?

Ivan Martinez-Vega = Para nós, o segmento LGBT é extremamente importante. Chega a ser uma questão federal, alinhada com o pensamento do nosso presidente, Enrique Peña Neto e do Ministro do Turismo Enrique de la Madrid. A importância se dá por 2 vias = Direitos Humanos + Econômica.

Quando se pensa em Direitos Humanos, imediatamente nos remetemos aos temas da inclusão. E quando se trata de ver a estratégia LGBT dentro de um prisma econômico, é tão importante quanto. Nos 2 casos, o que fazemos é promover os diversos destinos. Assim, geramos visitas que incrementam a economia não apenas local como federal.

É possível delinear um perfil do turista LGBT?

O turista LGBT não se limita a viajar numa determinada temporada. Isso é muito bom. Este público viaja em qualquer época do ano, buscando um tipo de serviço diferenciado.

Você pode me dar um exemplo deste tipo de serviço diferenciado?

Claro! Veja por exemplo os hotéis. O segmento LGBT busca, em geral, hotéis mais sofisticados, com serviço mais requintado. Esse turista gosta de comer em bons restaurantes e de atividades noturnas.

Ao visitar o México eles receberão dos nossos destinos, o que há de mais caloroso em matéria de hospitalidade. Essa é a nossa política de inclusão e direitos humanos que preza a não-discriminação de raça, religião e preferência sexual.

Puerto Vallarta é um dos destinos capacitados para receber os viajantes LGBT México

Puerto Vallarta é um dos destinos capacitados para receber os viajantes LGBT (Foto: Ignativss/Divulgação)

Sabemos que se formos bem-sucedidos nestes quesitos, a economia turística consequentemente o será também. Hoje temos destinos que têm produtos incríveis, preparados especialmente para o público LGBT.

Que destinos são esses?

Puerto Vallarta é um deles e já trabalha há muito com este segmento. Outro destino que tem investido bastante no LGBT é Guadalajara, capital do estado de Jalisco. Em geral, Jalisco tem impulsionado seus destinos turísticos, capacitando-os para criar produtos próprios para o segmento.

Também no estado de Jalisco temos as cidades de Tlaquepaque e Tequila, bem alinhadas à filosofia de inclusão. É possível ao turista, por exemplo, fazer um tour de trem de Guadalajara à Tequila. Ao chegar à cidade um dos tours mais atraentes mostra o processo de fabricação da Tequila, a bebida que é sinônimo de México.

É claro que Cancun e a Riviera Maya são destinos gay-friendly, assim como a nossa capital, a Cidade do México, que tem produtos espetaculares para os turistas LGBT.

No estado de Morelos temos a capital Cuernavaca, um destino que destacamos, assim como San Miguel de Allende, no estado mexicano de Guanajuato.

Posso ainda acrescentar, Acapulco, Oaxaca, as regiões de Juchitan e Tehuantepec. Todas essas cidades passaram por uma capacitação oferecida pelo CPTM e criaram produtos específicos para os viajantes com este perfil de interesse. Nosso objetivo é seguir capacitando outros destinos.

O que um destino precisa fazer para receber este certificado do CPTM?

Primeiramente ele precisa mostrar interesse em se capacitar. A partir daí precisa reunir um grupo de prestadores de serviços turísticos para participar da capacitação. Este grupo inclui de hotéis, bares e restaurantes a receptivos locais; motoristas de taxi e outros meios de transporte, também interessados são convidados a participar. A partir daí, tem início a capacitação.

Qual o conteúdo desta capacitação?

Incluímos noções básicas de Direitos Humanos e discriminação. Seguimos mostrando temas como raça, religião e preferência sexual, sempre sob a visão de inclusão, direitos humanos e discriminação.

Depois entramos no tema hospitalidade, abrangendo todos os temas anteriormente apresentados. Dentro da capacitação de bem-receber abordamos turistas LGBT que viajam desacompanhados, na companhia de amigos, e ainda casais e famílias LGBT. Para todos esses perfis temos uma capacitação sob medida.

Por fim orientamos os destinos e os capacitados a criar produtos ligados às suas áreas de trabalho. A união de todos esses pequenos produtos cria objetivamente um produto turístico do destino, que passa a ser trabalhado e vendido pelos receptivos locais para os operadores internacionais. Estes pacotes têm toda uma consciência do que significa o segmento LGBT.

Você pode nos dar um exemplo de um pacote LGBT que passou por todo este processo de capacitação?

Vou dar o exemplo de um produto turístico novíssimo! Em Oaxaca, há uma operadora que trabalha especificamente com produtos LGBT. Ela desenvolveu um produto na região ao sul de Tehuantepec. Nesta região há uma tradição cultivada muito antes da chegada dos espanhóis. Ela é guardada pelo povo Zapoteca.

Quando um menino de suas famílias se mostra como gay, ao contrário do que se poderia pensar, a cultura Zapoteca apoia esta decisão. Este menino se torna então um uma muxe (ou muxhe), palavra antiga que quer dizer “mulher”. A partir daí a muxe pode assumir sua identidade feminina. Vestindo-se como mulher, se encarrega de preparar a comida e cuidar dos pais. Para as muxes a cultura Zapoteca tem festivais que acontecem em média 3 vezes ao ano. São os chamados Vellas.

Este receptivo local criou um produto para quem quer conhecer a cultura Zapoteca e a tradição das muxes durante um Festival Vellas. É uma maravilhosa maneira de conhecer uma tradição autêntica, ao mesmo tempo em que o turista experimenta a hotelaria, a gastronomia e as diversas outras atrações mexicanas, ligadas ou não ao tema.

Ao final, o que o Turismo do México quer mostrar é que não importa a cor, a religião, o gênero e outras diferenças. Todas as pessoas, de todas as partes do mundo são e serão sempre muito bem-vindos ao nosso país. Esse é o papel do turismo pelo mundo e o CPTM acredita que o turismo tem o poder de unir os povos.

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